9.20.2008


Mainardi e a profissão mais antiga do mundo


Em breve será muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que certo tipo de articulismo é a profissão mais antiga da humanidade. E, no entanto, estarão lidando com fenômeno recente e urbano.

Gilson Caroni Filho

Há algum tempo, em outubro de 2005, o jornalista Renato Rovai advertia quanto aos riscos que o tipo de jornalismo praticado por Mainardi e outros articulistas de Veja trazia para a imprensa como instituição e o jornalismo como profissão. "Os tiros do padrão Veja de jornalismo estão sendo dados enquanto o silêncio acomodado da maior parte dos jornalistas segue impávido. Parece que é assim mesmo, que faz parte do jogo. Não é. Não se pode deixar que seja. Os profissionais mais jovens ainda merecem um desconto. Os mais experientes, calados, são cúmplices. Estão ajudando a desmoralizar a profissão. E pagaremos todos por isso”. (Revista Fórum, outubro de 2005)

Em dezembro do mesmo ano, Olavo de Carvalho, em cruzada aberta contra o Observatório da Imprensa, afirmava que pelos critérios da esquerda, "o simples salário de jornalista profissional, tão limpo quando pago a esquerdistas, se torna uma espécie de propina corruptora quando vai para o bolso de alguém politicamente incorreto". O "esquerdista", subsidiado por uma tão onipresente quanto imaginária "Internacional Comunista", sempre atuante nos arrazoados do auto-intitulado “filósofo”, seria o jornalista Alberto Dines, editor do Observatório.

O "politicamente incorreto", o iconoclasta de estimação da família Civita era, obviamente, o polemista (?) Diogo Mainardi. É assim que Olavo costuma reorganizar as questões que o atormentam no campo das idéias: com simplificações e rótulos. É nesse marco que se processam suas “impagáveis abstrações.”

Passados três anos da publicação dos dois textos, o “oráculo de Ipanema”, em entrevista ao Jornal Laboratório da Facha (edição nº 23, julho/agosto de 2008), tece considerações sobre o que julga ser a natureza de uma categoria profissional. Confirma os piores temores de Rovai e, por conseqüência, esclarece as dúvidas “olavianas” sobre os critérios que definem o tipo de pagamento pelos serviços prestados por ela.

Lembrando da argumentação usada pelo pai do articulista, o publicitário Ênio Mainardi, para trocar as redações pela publicidade ("se era para ser uma prostituta, seria, então, uma prostituta de classe") os estudantes Daniela Lima e Diego Ferreira perguntaram a Diogo se ele se considerava uma prostituta no jornalismo. A resposta não podia ser mais categórica: “hoje, em dia, jornalistas e publicitários ganham a mesma coisa, saíram da Vila Mimosa para as ruas mais elegantes da cidade (...) Talvez seja essa a minha maior preocupação: ser menos prostituta possível”.

Não ficou claro se Mainardi produziu uma peça de péssimo gosto ou tentou esboçar análise de um novo projeto de construção da identidade do campo jornalístico brasileiro. Uma tosca tentativa de iniciar o debate sobre novas funções éticas da imprensa. Um processo que passa pela redefinição de como se dará a elaboração crítica da informação a partir de insuspeitas exigências da nova tecnologia.

Enquanto os especialistas não se debruçam detidamente sobre as questões levantadas na entrevista, uma coisa é certa: a distância entre Vila Mimosa, famosa área de prostituição do Rio de Janeiro, e a redação de conhecida revista semanal, na Avenida das Nações, 7221, em São Paulo, diminuiu consideravelmente. Em breve será muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que certo tipo de articulismo é a profissão mais antiga da humanidade. E, no entanto, estarão lidando com fenômeno recente e urbano.

Posted by Postado por Daniela Lima. às 11:40
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Gilson Caroni: Mainardi e a profissão mais antiga do mundo

Há algum tempo,em outubro de 2005, o jornalista Renato Rovai advertia quanto aos riscos que o tipo de jornalismo praticado por Mainardi e outros articulistas de Veja trazia para a imprensa como instituição e o jornalismo como profissão.

Por Gilson Caroni Filho, na Carta Maior
"Os tiros do padrão Veja de jornalismo estão sendo dados enquanto o silêncio acomodado da maior parte dos jornalistas segue impávido. Parece que é assim mesmo, que faz parte do jogo. Não é. Não se pode deixar que seja. Os profissionais mais jovens ainda merecem um desconto. Os mais experientes, calados, são cúmplices. Estão ajudando a desmoralizar a profissão. E pagaremos todos por isso”. (Revista Fórum, outubro de 2005)

Em dezembro do mesmo ano, Olavo de Carvalho, em cruzada aberta contra o Observatório da Imprensa afirmava que pelos critérios da esquerda, "o simples salário de jornalista profissional, tão limpo quando pago a esquerdistas, se torna uma espécie de propina corruptora quando vai para o bolso de alguém politicamente incorreto".

O "esquerdista", subsidiado por uma tão onipresente quanto imaginária "Internacional Comunista", sempre atuante nos arrazoados do auto-intitulado “filósofo”, seria o jornalista Alberto Dines, editor do Observatório. O "politicamente incorreto", o iconoclasta de estimação da família Civita era, obviamente, o polemista (?) Diogo Mainardi. É assim que Olavo costuma reorganizar as questões que o atormentam no campo das idéias: com simplificações e rótulos. É nesse marco que se processam suas “impagáveis abstrações.”

Passados três anos da publicação dos dois textos, o “oráculo de Ipanema”, em entrevista ao Jornal Laboratório da Facha (edição nº 23, julho/agosto de 2008), tece considerações sobre o que julga ser a natureza de uma categoria profissional. Confirma os piores temores de Rovai e, por conseqüência, esclarece as dúvidas “olavianas” sobre os critérios que definem o tipo de pagamento pelos serviços prestados por ela.

Lembrando da argumentação usada pelo pai do articulista, o publicitário Ênio Mainardi, para trocar as redações pela publicidade ("se era para ser uma prostituta, seria, então, uma prostituta de classe") os estudantes Daniela Lima e Diego Ferreira perguntaram a Diogo se ele se considerava uma prostituta no jornalismo.

A resposta não podia ser mais categórica: “hoje, em dia, jornalistas e publicitários ganham a mesma coisa, saíram da Vila Mimosa para as ruas mais elegantes da cidade (...) Talvez seja essa a minha maior preocupação: ser menos prostituta possível”.

Não ficou claro se Mainardi produziu uma peça de péssimo gosto ou tentou esboçar análise de um novo projeto de construção da identidade do campo jornalístico brasileiro. Uma tosca tentativa de iniciar o debate sobre novas funções éticas da imprensa. Um processo que passa pela redefinição de como se dará a elaboração crítica da informação a partir de insuspeitas exigências da nova tecnologia.

Enquanto os especialistas não se debruçam detidamente sobre as questões levantadas na entrevista, uma coisa é certa: a distância entre Vila Mimosa, famosa área de prostituição do Rio de Janeiro, e a redação de conhecida revista semanal, na Avenida das Nações, 7221, em São Paulo, diminuiu consideravelmente. Em breve será muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que certo tipo de articulismo é a profissão mais antiga da humanidade. E, no entanto, estarão lidando com fenômeno recente e urbano.

Posted by Postado por Daniela Lima. às 11:37
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9.19.2008








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Jornal Laboratótio - Agosto.

Posted by Postado por Daniela Lima. às 10:54
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7.10.2008



Primeiro foi o professor Gilson Caroni que citou uma frase da entrevista do diretor de Redação da Veja, Euripedes Alcântara, feita pela aluna Daniela Lima, em um artigo no site Carta Maior, republicado em outros sites. Agora é o escritor Giancarlo Summa que pretende incluir um trecho da entrevista em seu livro "O papel político da imprensa no Brasil - Da eleição à reeleição de Lula". Leiam abaixo a mensagem que Giancarlo enviou para o professor Gilson:

"Prezado Gilson, li seu artigo na Carta Maior "Imprensa, um semestre de imposturas". Concordo com suas avaliações. Gostaria de pedir um favor. Estou terminando de revisar um livro meu que será editado na França até o fim do ano, dedicado a "O papel político da imprensa no Brasil - Da eleição à reeleição de Lula", e gostaria de citar a frase do Eurípedes Alcântara que você relata ("Como no Congresso as oposições estavam- e ainda, de certa forma, estão- desarticuladas, Veja se viu nessa incômoda situação de ser a única oposição real ao governo Lula"). Poderia, por favor, precisar quando e exatamente em qual veículo foi publicada esta entrevista? Tentei no Google, mas não a encontrei. Muito obrigado, Um abraço, Giancarlo Summa".


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Texto retirado do blog do Jornal Laboratório.

Posted by Postado por Daniela Lima. às 10:26
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6.14.2008






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Jornal Laboratótio - Junho.

Posted by Postado por Daniela Lima. às 02:14
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6.02.2008






































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Jornal Laboratório
- Maio.

Posted by Postado por Daniela Lima. às 14:43
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5.27.2008





O jornalista Eurípedes Alcântara está na Editora Abril há 25 anos, e sempre atuou em Veja. Começou como chefe da sucursal de Belo Horizonte e, em seguida foi editor-assistente, editor, editor-executivo, correspondente em Nova York e redator-chefe, até assumir a diretoria de redação, em fevereiro de 2004.

Nesta entrevista, Alcântara relata o início de sua carreira – quando cobriu as greves no fim do regime militar e escreveu para um jornal trotskista –, a sua trajetória na Abril e explica se existe afinal um ‘método Veja’ de fazer jornalismo, além de comentar ‘o caso Nassif’.

Como foi o início da sua carreira?

Comecei como estagiário do Diário de Minas, em Belo Horizonte. Minhas primeiras coberturas foram das greves que começavam a ser organizadas no final do regime militar. A direção do jornal não se empenhava muito em cobrir esses assuntos menos por medo da reação dos militares. A razão central da timidez na cobertura das greves se devia a compromissos da direção do jornal com políticos civis do estado. Eles eram amigos dos secretários de educação e da segurança e não permitiam que os eventos em que eles ficavam mal tivessem destaque na cobertura diária. Então, o que não me permitiam publicar ali eu descarregava no Em Tempo, um jornal da esquerda trotskista, de circulação nacional, para quem eu escrevia artigos semanais. Em seguida, fui contratado pela sucursal de Belo Horizonte do jornal O Globo, onde comecei a travar contato com as exigências de qualidade jornalística, de exatidão e de independência dos governos. O Globo era identificado com certas posições conservadores do regime dos generais mas não lhes prestava submissão. Uma bela escola, portanto. No começo dos anos 80, fui convidado para dirigir a sucursal de VEJA em Belo Horizonte. Aceitei. Fiquei um ano no posto e me convocaram para ser editor-assistente na sede da revista em São Paulo, de onde só saí para trabalhar como correspondente em Nova York, por quatro anos, entre 1994 e 1998. Todo começo de carreira é uma obra aberta. Muitas coisas podem dar errado e minar sua trajetória: um chefe despreparado, uma empresa desatenta com seus profissionais, a tentação de seguir carreiras paralelas a de jornalista, como assessor de imprensa, consultor e outras. O primordial é ser do ramo e ter consciência disso. Em segundo, perseverança e resiliência para se levantar depois dos tombos inevitáveis. Em terceiro, curiosidade insaciável e gosto pelo idioma. Antes de tudo ser honesto, ‘até por malandragem’, como dizia um dos meus grandes chefes do passado em VEJA.

Gostaria de ouvir um pouco sobre a sua trajetória em Veja, em especial, a época em que o senhor foi correspondente em Nova York – sonho de muitos Jornalistas.

Lamento se decepciono mas acho que a idade de ouro dos correspondentes acabou. Quando não existia internet. TV a cabo e viajar ao exterior era coisa rara e cara, o correspondente servia como os olhos e ouvidos do leitor em terras estranhas. Hoje esse assombro com o novo, com o pitoresco, com o diferente quase não existe mais. O mundo se globalizou mesmo. Quando trabalhei em Nova York ainda havia uma certa aura de curiosidade sobre a cidade e, em especial, sobre os Estados Unidos e a nascente economia da tecnologia da informação. Os EUA viviam sua primeira década como potência hegemônica, depois da derrocada da URSS. A internet começava a mostrar o que ainda viria ser. A economia globalizada dava os primeiros mas decisivos passos rumo à Ásia, Europa e América Latina. O Brasil estava em uma posição de destaque mundial. Ocupava tanto as atenções quanto a China hoje. Essa conjunção de fatores facilitou enormemente minha vida profissional. O nome do Brasil abria portas. Não havia um líder de empresa ou cientista que não quisesse falar com os brasileiros através da VEJA. Fiz uma colheita generosa. Em quatro anos fiz 18 reportagens de capa para VEJA e 22 entrevistas de Páginas Amarelas. Foi um dos períodos mais felizes da minha carreira. Dificilmente aqueles fatores que citei acima se harmonizarão de novo em Nova York. Mas quem sabe em Beijing ?

Depois de tantos anos na revista, assumir o cargo de diretor de redação foi uma conquista e, ao mesmo tempo, uma construção?

As posições de mando na imprensa são assumidas pelos mais pacientes e mais focados profissionais. No decorrer da carreira, em especial, quando ela é feita quase toda em uma redação, as pessoas conseguem construir uma reputação. Seus pares e superiores aprendem quais são seus pontos fortes e fracos. Não existem sustos quando as promoções são feitas. Na verdade, elas são decididas muito antes de serem anunciadas. Quando há transparência, competição e meritocracia, como é o caso da redação da VEJA, o diretor tem mais o papel de um orientador do que o de um chefe disciplinador. Foi uma conquista pra mim chegar a ser diretor de VEJA mas não é uma dádiva, um surpresa.

Lembro da matéria que você escreveu para a revista Bravo! sobre o show do Bob Dylan, como consegue acumular tantas atividades?

Escrever e ser repórter é a base da nossa profissão. O resto é burocracia. Um diretor de redação tem que continuar escrevendo e apurando.

Quais são as marcas de Veja? Existe um ‘método Veja’ de fazer Jornalismo?

A Veja tem mais uma cultura e uma tradição do que mesmo um método. A marca da revista, muitas vezes pouco compreendida em escolas de jornalismo, é não se refugiar sob o conforto da imparcialidade. Veja tem e defende suas posições e princípios, sem rodeios. A Veja acredita na democracia e na economia de mercado.

O senhor acha que o conteúdo opinativo é o que há de mais valioso em Veja?

O mais valioso em Veja é a reportagem, a capacidade de trazer á luz um assunto que não interessa em nada aos poderosos no governo, qualquer governo.

A revista nunca se furtou ao debate; no entanto, a partir do governo Lula, foi acusada de ‘radicalizar o seu próprio estilo’, a que se deve este fato?

Veja reagiu antes e com mais vigor às tentativas liberticidadas do governo, em especial no primeiro mandato, quanto o Brasil vivia em lua de mel com seu novo presidente. Continuamos fazendo jornalismo quando boa parte da imprensa se limitava a saborear a chegada ao poder de um candidato popular e muito amado nas redações. Como no Congresso as oposições estavam – e ainda, de certa forma, estão – desarticuladas, Veja se viu nessa incômoda situação de ser a única oposição real ao governo Lula. Não é uma posição confortável mas, a meu ver, inevitável. Não existe jornalismo a favor.

Por que o senhor está processando Luís Nassif?

O departamento jurídico da Abril me impede de comentar esse caso. A resposta que posso dar é que estamos procurando na Justiça de São Paulo as reparações devidas pelos ataques criminosos de que fomos alvo.

Ir atrás da verdade deve ser o principal sonho de qualquer jovem repórter?

Buscar a verdade é, no fundo, nossa única função. A busca desinteressada e honesta da verdade. Encontrá-la é outra coisa.


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Jornal Laboratório – Maio.

Posted by Postado por Daniela Lima. às 17:38
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