5.04.2008


As mudanças em My Blueberry Nights, último filme de Wong Kar-Wai, vão muito além do idioma (o road movie foi gravado nos EUA e é inteiramente falado em inglês): o diretor que, normalmente assina sozinho os roteiros, divide a história com Lawrence Block e a direção de fotografia, pela primeira vez em 15 anos, não é de Chistopher Doyle. Juntos Wong e Doyle inventaram o mais copiado estilo de representar a passagem de tempo – uma combinação de slow-motion, cores acentuadas, um leve desfocado e, em quase todas as cenas, a presença do cigarro.



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Tony Leung em 2046



A impossibilidade das relações amorosas continua sendo o tema central dos filmes de Wong, mas, no adocicado My blueberry Nights, o final surpreende: beijos, personagens se modificando e uma série de clichês típicos da indústria do cinema. Outras características do diretor como a narração em off – “a maneira mais longa de se atravessar uma rua” – e a sobreexposição de planos diretos continuam presentes.



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Jude Law e Norah Jones em My Blueberry Nights



A comparação entre My Blueberry Nights e Amores Expressos é inevitável – talvez pela presença de signos como a chave e o bar ou pelas personagens principais serem representadas por cantoras (Faye Wong e Norah Jones). No entanto, o frescor e a delicadeza do filme de 1994 não se repete. Nem poderia. A falta de pretensão e a liberdade de criação, essenciais para o surgimento de idéias originais, não seriam possíveis num filme feito, principalmente, para vender.

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Correio do Brasil ― Maio.




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Posted by Postado por Daniela Lima. às 17:15
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